terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Tem dias...

Tem dias que a gente acorda com a aquela sensação de que está faltando alguma coisa. Não sabe se foi um sonho que teve e esqueceu de contar a alguém, se foi um recado não dito, um filme bom que ia passar na T.V e você simplesmente esqueceu de ir assistir. Ou pode ser apenas aquele sorriso que era constante e que agora não surge mais, aquele abraço de proteção que desapareceu, aquele beijo afetuoso que lhe tirava da realidade por alguns segundos...
Tem dias que parece que não está faltando alguma coisa, e sim está faltando dias de verdade.

Tem dias que parece que você esqueceu de viver.


Texto de 2010.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Tríade da Falta



Sobre a falta I

Quando a estagnação surge após o movimento
É desolador.
Não se sabe exatamente onde foi o erro
Ou se eu fui o erro

Eu digo a mim mesma que já me acostumei
Mas aquele vazio por dentro eu não me acostumo
O choro antes de dormir
E o sinal mais clássico vem quando digo:
“Eu queria que dessa vez desse certo”

Preciso me encontrar, preciso somente caminhar
Não querer e precisar de uma sombra junto a mim
Uma mão para me segurar
Preciso querer não mais parar

É se tua ausência for a única permanência que eu tenha
A guardarei com carinho
Registrando a sorte de te ter um pouco ao menos.

Sobre a falta II

Sim, eu senti.
Foi perfume tuas palavras
Foram cores suaves seus “humores”

Foram toques delicados em pele sensível os teus dedilhados
Foi coração acelerado sua ansiedade

Em mim foram lágrimas as tuas dores
Foram angústias minhas esperas de ti

Mas foi clarão ao te ver
Foi a mais pura e singela certeza
Quando você sorriu.

Sobre a falta III – A angústia

Sabe aquela angústia? Ela voltou!
Ela sabe como entrar, tem até chave própria
Ela se sente à vontade em mim, tem acesso fácil.
Parece que meu corpo é aberto para ela

E quanto a mim? Fico confusa
Fico cheia de dor

E quando ela entra eu fico inquieta
Sem sono, apetite e alegria

A angústia sabe me ferir
Porque ela já sabe de todos os meus pontos fracos
Ela chega cortando, sangrando
E o pior, ela tira tudo de mim

Me deixa com um buraco no peito
E dói! E dói... Como dói.
E hoje ela me deixou em frangalhos.



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Sujeito Vivo

Cabelo e barba que refletem um tom vermelho
Ele tem um tom rubro em si por inteiro
Prefere para a própria vida um novo modelo
Faz das experiências uma intensidade pulsante

Dá para perceber o palpitar nas suas palavras
É possível sentir aroma nas suas ideias
Seus desejos de tão intensos possuem formas

Ele tem uma vida além da própria vida
Carrega um tom adocicado e nostálgico
Ou talvez seja o amargo de um café forte
Um aroma de tabaco recém fumado
O mesmo que deixou no último livro de cabeceira

Ele não é vinho suave
Ele é vinho seco, encorpado e envelhecido
Aquele tipo de bebida que deixa tonto em um só gole

Com ele não há rima nem perfeita métrica
Com ele há sentidos, instintos e variações
Para ele as palavras apenas latejam.

Magnólia Ramos - Sujeito vivo
(24/10/2016)

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Relatos de uma "fracassada"



É muito desagradável se pegar numa recordação constrangedora (e eu sou especialista em ter esse tipo de lembrança), a impressão (pelo menos eu tenho muito disso) é de que estou revivendo a vergonha e não consigo controlar, seja físico ou afetivamente as sensações, por isso às vezes eu fico a inclinar os ombros para baixo ou meu rosto paralisa, com uma leve mordida dos lábios, como se estivesse tentando manter contato com a realidade diante daquela situação.
Resultado de imagem para mulher rindo tumblrHoje enquanto estava no percurso ao shopping para ver um filme e tentar me convencer que tem muita coisa boa no mundo, eu recordava de inúmeras cenas desse tipo: em que falo algo que não devo, não ouço o que uma pessoa fala e sou cobrada (tendo que admitir que pela 7ª vez de repetição eu não ouvi), tropecei, cair, soltei uma cantada para um rapaz que estava ao lado da namorada (eu juro que não sabia), e assim sucessivamente... Eu fui encolhendo na moto, de forma a tentar controlar meus pensamentos para seguirem para um caminho mais acolhedor e tranquilo. Mas de repente, eu comecei a rir, desenfreadamente. Achei tudo aquilo engraçado como se não fosse eu. E de certa forma, tive um tipo de carinho diferente por mim mesma. Eu estava vivendo... Eu entendi que em todas aquelas situações eu estava tentando: falei algo que não “devia”, mas me expressei, disfarcei a falha de ouvir tentando proteger meu self da exposição de admitir que meus sentidos (no caso o de audição) estavam falhando, tropecei e cai porque caminhei, soltei cantada para pessoa “errada” porque me envolvi e respondi àquilo, tive iniciativa. É bom ver que as nossas falhas são partes constitutivas do que somos, porque a partir delas nós aprendemos, se não, pelo menos teremos algumas histórias e/ou filmes mentais com cenas da nossa vida, movimentos e decisões nossas.
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Quando estava cheia de amor pelas minhas falhas, eu senti pena de mim mesma. Não por ter errado, mas por querer acertar sempre e por achar anormal falhar. É um tipo de comando inconsciente/coletivo/impositivo/cultural que diz que temos que acertar sempre, fazer bonito, ser sutil e vitoriosa. E uma mulher gordinha que não se veste como no ultimo catálogo da moda e ainda se dá ao luxo de tropeçar, cair, falhar na interação, escolher o cara errado, e ainda, até hoje, não ter um cara ao lado(!) é a personificação do fracasso. Quando que na realidade o bom mesmo é tentar fazer da nossa vida um livro cheio de textos, imagens, lembretes e mensagens sobre nós e para nós mesmos. E quando tudo isso acontecer se achar o máximo, mesmo que seja fazendo tudo diferente, mesmo que seja o “errado” (quando esse errado é uma decisão própria, já está valendo).
Eu vejo que não é possível acertar sempre, nem nunca. Na realidade o que é acertar mesmo?

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Hoje é meu aniversário, e daí?


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Hoje dia 23 de agosto de 2016, dia do meu aniversário, e confesso que não gosto de aniversários. Não, não há nenhuma patologia em mim por rejeitar a data ou por não conseguir me divertir como comandam as pessoas. Eu simplesmente me deprimo nesse dia há pelo menos 15 anos (que foram os anos que tive consciência desta data e dei direcionamento celebrativo a ela).
Nesse dia, eu não gosto de sair de casa, fazer coisas loucas, fico assustada quando vejo pessoas agindo de maneira enfática como se algo tivesse mudado muito em mim, recebo abraços e sorrisos, inclusive de pessoas que não falam comigo nos dias comuns. Fico tensa, preocupada de alguém fazer alguma surpresa, eu simplesmente não sei agir diante de surpresas, fico desconcertada, sinto que sorrir não é o suficiente, daí nas “surpresas” pedem um “discurso” (esse sim é a pior situação de todo o momento em si).
Lembro com muito carinho do meu aniversário de 2015, eu fiquei em casa (o dia inteiro), minha irmã generosamente me acompanhou na maratona de filmes, comemos bolo de chocolate ruim, tomamos sorvete bom, e estivemos um dia inteiro sentindo o filme e conectada com a ficção. Eu não sei, acho que esperam que seja um dia especial, e o que seria especial para mim, talvez, não supre as expectativas dos outros. Por isso que sou taxada de desanimada, triste, chata...
Eu não sei o que me dá nesse dia, acho que todos os dias devam ser dias para serem bem vividos, e pensar que SÓ UM DIA me seja especial é pouco demais. Assim, tenho levado todos os dias com certa normalidade, mas o meu aniversário, eu o deixo mais especial, eu não quero nada extravagante, nada não seja eu mesma. Acho que é por isso que todo o ano minha família acha meu aniversário desanimado.
São tempos difíceis para os sujeitos pouco espontâneos e extrovertidos.