segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pulsão




Corto os pulsos da angustia, não deveria doer, no entanto os pulsos cortados são os meus. E quando sinto o liquido quente e vermelho se esvair dos pulsos, que agora percebo que são os pulsos da MINHA angustia, vejo que lagrimas saem dos meus olhos e é o meu coração que dispara! Em segundos depois não sinto mais o liquido, os olhos, o pulso, nem mesmo o coração.
Estou adormecida em um campo verde e límpido. Não possuo resquício de angustia nem vejo mais o pulso dela, nem as suas veias, nem o liquido que bombeava seu conteúdo entristecido para meu coração.
Eu senti medo? Não, apenas alívio. Foi rápido? Levei uma vida inteira para descobrir que não vivia, por que a angustia residia no meu corpo, precisava expulsá-la, então posso dizer que não foi rápido o processo de expulsão. E agora? Continuo a chorar, mas as lágrimas têm outro significado. Existem lágrimas de alegria, lágrimas de emoção, lágrimas como processo de crescimento. Hoje choro essas lágrimas.
Para viver, é preciso matar simbolicamente sentimentos que nos matam no real.

domingo, 14 de março de 2010

Princesinha


A pequena princesa está no topo do castelo em pequenino espaço que mal cabem suas pernas esticadas, chora incontidamente, o único espaço que lhe permite ter contato com a realidade externa é uma pequenina janela quase ao teto do quarto. E porque ela está presa? Não se sabe.
Os dias passam, e ao contrário do que narram as historias infantis e românticas, não há nenhuma trama armada para retirá-la do castelo que a aprisiona, então, por mais que não tenha forças e tenha medo, ela decide levanta-se, fraca ainda, consegue subir até a pequena janela e como não há espaço para de lá sair, então ela respira o ar mais intensamente que pode.
É o instante que se encontra com seu príncipe, tendo o último contato com o mais lívido momento de sanidade e tranqüilidade. Ela paira ainda no ar junto com seu príncipe, que se apresenta molecamente dizendo-lhe; “prazer meu nome é liberdade, estais pronta pra partir?”, desesperada ela consente e os dois saem juntos, não há mais preocupação, não há mais aperto nem sufoco, ela deixa a carcaça do seu corpo e sofrimento para traz, agora é apenas ela e o seu príncipe Liberdade caminhando juntos, apenas...

domingo, 7 de março de 2010

Cativando Questões



Somos responsáveis pelo que cativamos? Mas se o que cativamos não é cativado com a intenção que deveras possuímos? E se o objeto cativado se deixar cativar por qualquer atitude apenas com o intuito de nos colocar a responsabilidade de tê-lo cativado?
Uma outra questão não sai da minha cabeça. Porque sentimos dificuldade em cativar o objeto de desejo de “cativação”?

Ou seja, porque quase nunca conseguimos o objeto desejado? E quando esse objeto é conseguido queremos substituí-lo? Quando ainda não o temos, ele é belo, forte, perfeito, ausente de qualquer falha ou ponto fraco (que quando vemos uma falha, automaticamente, a transformamos em ponto forte).
Um dia me disseram que só conhecemos uma pessoa quando passamos a conviver com ela, mas na realidade, dizemos que a conhecemos como desculpa de, implicitamente, afirmar que não estamos mais tão interessados por que já passamos a possuí-la.

A posse mata a coisa, o cativar mata o livre arbítrio e o objeto inalcançável nos motiva a permanecer vivos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Poemas


Não escrevo mais poemas
Acho que perdi a leveza e a sutileza em criar versos
Falar de sentimentos e em rimas expor meus pensamentos

Não escrevo mais poemas
Aqueles de amor, paixão, principalmente pra expor minha emoção
Procuro não mais ter tantos dilemas

Não escrevo mais poemas
Eles sempre me faziam refletir quando meus versos eram bons ou ruins
Ou quando o que eu queria era dizer meus problemas

Não, eu não escrevo mais poemas
É um triste fim de uma poetiza, quem sabe
Mas meus poemas nunca disseram nada
Eu apenas os via com desabafos de situações de cansaço

Não, poemas, não
Todos os dias eu olhos velhas anotações e percebo que eu sinto falta
Mas já disse que não escrevo poemas
E o que faço agora?

Bem... Acho que voltei a escrever poemas
Olhei a janela e vi que posso voltar a tentar interpretar meus pensamentos
Nunca estive tão disposta a realizar essa velha proposta

Sim, eu tenho uma completa certeza agora
Eu voltei a escreve poemas.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Noite


Noite

[...]

Quando as luzes se apagam ocorre um misto confuso de histeria, ansiedade, inquietação e paz.

Eu disse que era confuso!
Sinto-me tranquila e amedrontada, porque é confortável estar em casa ao lado de pessoas confiavés e afáveis, mas é amedrontador o mundo lá fora. Temos que vencer não só os nossos obstáculos internos, mas saber conviver com os males da atualidade tais como: a violência, miséria, sofrimentos de toda natureza. Só me pergunto porque esses pensamentos me invadem apenas durante as noites. Será que eram necessários para incrementar meus sonhos? Sonhos estes que ,consequentemente, são angustiantes com traços apaziguadores.
Atualmente sonhar tem sido uma luta, prefiro manter-me acordada, com pés firmes, mesmo que não seja em solo de realidade desconfortável.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Insignificância


A velocidade das mudanças me assusta, num segundo deixo de querer o que ainda continuo querendo. É que na realidade eu minto. Finjo que não quero, mas desisto abandono, largo e sofro.

Sorrir basta? Será que isso me bastaria? Será que preciso me esforçar mais?

Alegro-me a me ver continuando, quem pára fica estagnado nas mesmas inquietações, e isso realmente não é pra mim...

É melhor sofrer com o mutável do que esperar pelo mesmíssimo contínuo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Culpa


Como é ruim sentir culpa, e saber que eu sou a causadora do meu sofrimento, e o pior é saber que tudo faz o completo sentido dentro de mim... eu sou a única que TENTA não acreditar nisso.
meus estudos me apontam o dedo indicador dizendo "culpado" e eu fico negando, mas essa acusação me inquieta e a lógica argumenta que é compreensível.
O ser humano é naturalmente falho, mas o que ocorre é que ninguém quer perceber suas imperfeições, e eu humanamente sou imperfeita, cruel, impulsiva e tento encobrir minhas culpas. Isso dói, mas é a parte de mim que nega todos os dias que espero (esperançosamente) fazê-lo sumir definitivamente, pra que não a encontre mais
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